Urbano Tavares Rodrigues
NOTAS CRÍTICAS  

MOITA MACEDO
Um talento agressivo, irrequieto, uma personalidades histriónica, uma irreverência que até parece congénita. Porém, a pintura é boa de verdade, com certos traços à Capogrossi, parentescos com a monstrificação pós-tachista e com os códigos da neofiguração italiana.

E uma surpreendente e violenta arte da colagem. E, além disto, muito boa pintura, gestual, sinalética, expressionista.

Além da improvisação, do insólito, da velocidade, há a força da matéria e a estrutura calculada da "explosão".

Aí está Moita Macedo. Um momento do seu trânsito veemente, iconoclástico - e bem realizado - de uma estética para outra, dentro da sua mesma forma de encarar o mundo.

Urbano Tavares Rodrigues
"O Século" - 24 de Abril de 1974