Tomás Paredes
NOTAS CRÍTICAS  

MOITA MACEDO
"Conheci Poemas e pinturas, desenhos e batimentos, dores e cores, calor, resplendor limpo da simplicidade: o mundo de Moita Macedo! (...) A sua pintura – óleos e acrílicos, carvão e técnica mistas/papel, platex e telas – que sussurra as formas, que as esboça, para se deixar ganhar pelo traço, até rodear o volume e criar o espaço, mais lugar que espaço, onde, por traço, até rodear o volume e criar o espaço, mais lugar que espaço, se espraia o seu expressionismo doce violento, de cores enfurecidas, de atitudes nobres, à volta do homem e do seu destino incerto. Os seus desenhos de D. Quixote, as suas mulheres, tauromaquias e sonhos; as cidades apagadas que se iluminam, os sonhos, sempre dispostos a servirem a liberdade do homem; os Cristos, as caravelas, o mar, a noite, a noite transfigurada, com a sua música cuidada rivalizando com o silêncio, com a necessidade e com a raiva: pintura não de profissional, embora esbanje ofício, se não social, existencial, expressionista, não complacente, buscadora, vidente. (...)

A partir de uma figuração lírica, deriva para um expressionismo não referencial, com diferentes etapas, mas nunca se esquecendo do homem, estabelecendo sobre a tela um diálogo entre a fantasia e a realidade, um jogo, respeitador e libertário, onde as cromias se convertem em resíduo vivo do tempo que passa, como uma crónica da sua intimidade, que deixa constância do seu eu e da sua circunstância. (...)

Tomás Paredes
Presidente da Associação de Críticos de Arte de Madrid