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MOITA MACEDO Ver e ler a obra impressionante de Moita Macedo é um regalo para os olhos e um encantamento para a alma. Alguém disse dela: “essa obra pertence a um artista cuja personalidade foi de grande abertura e capacidade de simpatia, alguém que celebrava a vida nas mínimas coisas que fazia”. E eu penso que tem razão essa lúcida e inteligente visão do Poeta-Pintor que tão cedo nos privou da sua presença e, portanto, do gozo imenso da sua arte. Efectivamente, em quase todos os seus poemas e quadros há uma celebração da vida e neles perpassa um sopro de esperança, um vento que nos arrasta para o futuro, apagando o que de mau sofremos e abrindo-nos um horizonte largo. Esse sentido forte de esperança propaga-se-nos intensamente quando saboreamos a sua poesia ou nos deliciamos com o escudo e a lança quixotescos, em representação do herói com que se identifica, “alma romântica que almeja que o sonho se sobreponha à realidade”. Mas essa alma romântica não apaga a imagem do cidadão atento aos problemas que afligiam o país e que sempre quis ajudar a resolver. Aliás, percebe-se isso ao ler os lindos versos do “Desejo ao Poema”: Queria Que os meus poemas fossem gritos Capazes de romperem alvoradas Que não fossem só letras Que só escritos Mas tivessem a marca das enxadas Queria Que os meus poemas fossem pão Não palavras de sonho e ansiedade Mas que tivessem o condão De alimentar a alma da cidade. É, portanto, o poeta-pintor e o cidadão que se nos apresentam através da sua notável obra e que se confundem nela. E sempre nelas ressalta o seu amor à vida e o seu apego à esperança que lhe dá sentido ao que faz e que nos propaga tão belamente. O sentido da esperança é, pois, o que se radica em nós ao vermos e lermos a sua obra que pode servir de inspiração aos que na grande Instituição que é a Cruz Vermelha trabalham por um mundo melhor, mais pacífico, mais solidário e mais embebido de amor e de esperança. Maria de Jesus Barroso Soares |